Há um sítio em Ponte de Lima onde os avós lançam foguetes e os telemóveis ficam esquecidos na mochila
Vou contar te uma coisa que me custou a acreditar: existe um programa em Portugal onde uma criança de seis anos dá ordens de lançamento a um engenheiro aeroespacial, e o engenheiro obedece. Acontece nas Lagoas de Bertiandos, em Ponte de Lima, e chama se Aurora Family Camp. E aviso já: não é bem o que estás a imaginar.
Não é um campo de férias para crianças onde os adultos ficam a ver o tempo passar. Também não é um passeio de seniores onde os miúdos desesperam de tédio. É outra coisa: um dia inteiro, oito horas, em que três gerações põem as mãos na massa ao mesmo tempo.
A ideia nasceu de uma história bonita
A Borealis começou em 2002 com uma ideia simples: levar pessoas à natureza. Passados vinte e quatro anos, quem pisou os primeiros trilhos com eles já não vem sozinho. Vem com os filhos. E os filhos já trazem os netos. O Aurora Family Camp foi criado exatamente para isto, para juntar as três gerações no mesmo espaço e ao mesmo ritmo.
E há um pormenor que quase ninguém conta, mas que muda tudo. Chego lá já.
Um dia vivido em Modo Avião
A regra chega antes de saíres de casa: os telemóveis ficam no fundo da mochila. Sem ecrãs, sem notificações. O verde dos carvalhos substitui o brilho do telemóvel, e a pressa dá lugar à gargalhada livre. Chamam lhe desintoxicação digital, e pela primeira vez a expressão não me parece exagerada.
O ponto de encontro é o Centro de Interpretação Ambiental das Lagoas de Bertiandos. Às 10:00 há acolhimento e registo. A partir daí, o dia desenrola se assim:
- Às 10:30, a caminhada Caça às Histórias, dois a três quilómetros de passadiços de madeira planos, com jogos e missões que põem os miúdos a conduzir e os graúdos a serem apanhados de surpresa.
- Às 11:45, workshop de meditação guiada ao ar livre, sentados na relva.
- Às 13:00, almoço partilhado no parque de merendas, à sombra. Cada família traz o seu.
- Às 14:30, a oficina de foguetes, com crachás oficiais de missão para todos.
- Às 16:00, o lançamento e o concurso, com contagem decrescente em coro.
- Às 17:00, prémios e chá. Às 17:30, regresso à base.
A caminhada que não parece caminhada
A Caça às Histórias não é um passeio qualquer. Cada paragem é um desafio, e cada geração é posta a partilhar memórias e sonhos pelo caminho: memórias dos avós, ideias dos pais, imaginação pura dos netos. Os mais pequenos nunca perguntam «falta muito?», porque vão a jogar e nem dão pelo caminho a passar.
E repara neste detalhe, porque é raro: o percurso é plano, em passadiços, acessível a carrinhos de bebé e a adultos com mobilidade reduzida. Quem preferir não caminhar pode esperar no parque de merendas, com sombra e mesas. A meditação tem até uma variante sentada. Ninguém fica de fora.
Agora sim, o tal pormenor
A meditação vem antes dos foguetes. Parece uma ordem estranha, não parece? Primeiro acalmar, depois explodir de alegria. Mas é essa a lógica: quem tem 6 anos e quem tem 76 respira exatamente da mesma maneira, e é nesse compasso que o dia ganha ritmo antes de acabar em festa.
Depois vem a estrela do dia: foguetes de água, construídos e lançados por ti e pela tua família. Mas não em equipas fechadas. Um avô vai desenhar as barbatanas de um foguete com uma criança de outra família, e os mais novos vão dar instruções de lançamento a um adulto que acabaram de conhecer. Há crachás de Inspetor de Segurança, Diretor de Aerodinâmica e Técnico de Propulsão, e troféus para o foguete mais alto, o mais criativo e o maior espírito de equipa.
Quem guia tudo isto? Monitores de meditação, engenheiros aeroespaciais a sério e a equipa Borealis.
O que está incluído nos €19
Sim, leste bem. Dezanove euros por pessoa, com desconto para grupos. E inclui:
- Organização e realização de todo o programa.
- Equipa especializada: monitores de meditação, engenheiros aeroespaciais e equipa Borealis.
- Workshop de meditação guiado por especialista.
- Kit de foguete por equipa, com garrafa PET, vedante, válvula e bomba.
- Óculos de proteção para todos.
- Chá no fim do evento.
- Seguro de responsabilidade civil e de acidentes pessoais.
Não inclui o almoço (cada família leva o seu, e isso até faz parte da graça) nem o transporte até ao ponto de encontro. Leva mochila pequena, manta e tapete, calçado confortável, roupa em camadas, impermeável, cantil e documento de identificação. O material do foguete é fornecido.
A idade mínima são 4 anos. Podem vir só os avós com os netos, ou tios com sobrinhos, porque o programa foi desenhado para a família alargada. E se chover? A oficina passa para abrigo e o lançamento ajusta se à janela meteorológica.
Uma data só. E o relógio está a contar
Aqui vem a parte que convém ler duas vezes. O Aurora Family Camp acontece a 24 de outubro. Uma data. Uma só. E as reservas fecham a 21 de outubro. Não é daquelas viagens que podes deixar para «um dia destes».
A boa notícia: podes desistir com 100% de reembolso até 8 dias antes, e depois disso ainda podes indicar uma pessoa substituta. O risco de reservar já é praticamente zero. O risco de não reservar é outra conversa.
Põe te no lugar da tua família daqui a vinte anos. Achas que os teus netos se vão lembrar do fim de semana em que ficaram todos em casa a olhar para os ecrãs? Ou do dia em que lançaram um foguete de água para o céu de Ponte de Lima, com o avô aos gritos na contagem decrescente?
As vagas são as que são, a data é uma e o prazo termina a 21 de outubro. Garante o lugar da tua família aqui: Aurora Family Camp, Borealis Viagens







